BASTA ESCREVER BEM PARA PUBLICAR SEU LIVRO?

BASTA ESCREVER BEM PARA PUBLICAR SEU LIVRO?

 

+ 36 DICAS DE UM INICIANTE

Basta escrever bem para publicar seu livro?

 

A publicação de um livro é o fim (eu diria o começo) de uma jornada cansativa e cheia de obstáculos. Digo isso por experiência própria, estou há mais de três anos trabalhando no mesmo livro e luto a cada dia para que meu sonho de publicar se torne realidade.

 

Como já enfrentei vários obstáculos e cometi alguns erros neste caminho, queria compartilhar minha experiência para que vocês não sofram o tanto que sofri para saber o que sei (e ainda preciso aprender muito mais) hoje.

  1. Elabore um roteiro – Um plano de tudo que irá acontecer no livro

Antes de começar a escrever seu livro, o mais importante é saber o que você quer escrever. É ficção? É fantasia? É um terror? Um livro policial? Não adianta sentar na frente do computador e achar que por alguma inspiração divina você conseguirá escrever um livro do nada sem nenhum planejamento. Então, planeje antes de escrever, saiba do que você irá falar. O livro é a história contada de algo que aconteceu em sua cabeça, então para contá-la você deve conhecer todos os detalhes de sua trama, saber o início, o meio, e principalmente o fim. Além de uma história, o livro geralmente conta a jornada de algum personagem ou personagens (depende da sua escolha), a jornada que levará a algum desfecho. O autor/a autora deve conhecer o fim de sua própria obra.

  1. Saiba que tipo de NARRADOR você irá ser

Você vai ser um narrador onisciente? Vai ser um narrador protagonista? Ou a história será contada por vários narradores protagonistas? Ou o livro será narrado por uma testemunha dos fatos que aconteceram? Escolher o tipo de narrador pode ser uma das decisões mais importantes antes de começar a escrever um livro. O tipo de narrador errado para contar uma determinada história pode minar o acabamento do livro.

  1. Elabore uma Plano de personagens (motivação, objetivo, personalidade, função na história)

Aqui outra dica bastante importante: conheça seus personagens. Você escritor/escritora é uma espécie de divindade na sua história, quem criou cada personagem, cada vida ali presente. É muito importante que você saiba o que cada personagem pensa, não importa o quão relevante ele seja para história, desde o/a protagonista(s) até o coadjuvante do coadjuvante. Se você colocou algum personagem na história, ele/ela tem que ter alguma importância na narrativa. Coloque num papel, antes de começar a escrever, uma espécie de ficha biográfica do personagem (um tipo de currículo), onde você coloca todas suas características, personalidade, motivação, objetivo de vida, história, traumas de infância, sede de vingança, medo, aspiração, amizades, amores, tudo, absolutamente tudo. Conheça o personagem como se você o tivesse criado, pois afinal, você o criou.

  1. Elabore um Plano de História

Como dito anteriormente, elabore um roteiro. Saiba o início, o meio e o fim de sua história. Não adianta começar a escrever uma história sem saber o que irá acontecer no final. A história contada/narrada no livro é o caminho ou jornada que levou o personagem(s) ao determinado desfecho decidido pelo autor/autora. Coloque num papel o que irá acontecer em cada capítulo (saiba quantos capítulos), divida os capítulos em cenas e anote o que irá acontecer em cada cena. É muito importante para o/a escritor/escritora saber como será o desenrolar da história.

  1. Descreva bem o ambiente (Tempo/Espaço)

Assim como você deve e tem a obrigação de conhecer seus personagens, conheça o ambiente (local) em que eles estão. Não adianta descrever belamente os personagens sem colocá-los em algum lugar no tempo e espaço. Saiba a época, o ano, o período no tempo, o local, como são as construções, as casas, o espaço, o material de que é feito as construções ou habitação. Saiba identificar e mostrar ao leitor/leitora o local em que eles/elas estão entrando ao embarcar na sua história.

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  1. Descreva a Cultura

Se você criou um reino de fantasia, não adianta nada descrever a população, o local, o personagem, sem saber seus costumes, sua religião, seu modo de vida, sua organização política, seus valores morais e éticos. Tudo isso tem de estar claro para o leitor/leitora conseguir sentir a história.

  1. Escrever é sobre sentir e não sobre descrever

Quando você for escrever, tente ao máximo retirar todas as descrições. Ao invés de descrever/listar um sentimento, demonstre na narrativa com ações para que o leitor/leitora sinta o que você está escrevendo e não apenas leio relato de fatos sucessivos sem nenhuma conexão ou criação de empatia. Faça com o que o leitor sinta como se ele ou ela estivesse na pele do personagem, sentindo e criando empatia pelo personagem.

Exemplo:

Tom ficou furioso e irritado ao ver o Comandante Ananias torturando aquela pobre moça (descrição).

 

Tomado pela fúria que sentia ao presenciar injustiças, Tom atacou o Comandante Ananias na tentativa de fazê-lo parar de torturar a moça que não tinha culpa por aquela situação (tentativa de fazer o leitor sentir a raiva e fúria).

  1. Não revele tudo logo de início

Não revele toda história logo de início, faça com o que leitor/leitora queira continuar com a história, fique curioso com o desenrolar da narrativa. Dê pistas e pedaços de informações que aticem a curiosidade do público.

  1. A Primeira Página tem que ser perfeita – Deixe-a para o Final

Querendo ou não, a primeira página será a primeira coisa que o leitor/leitora ou editor/editora irá notar em sua obra. Se tiver erros de português, se for monótono, se não for interessante ou não despertar curiosidade, dificilmente a pessoa irá querer continuar. Crie uma situação que instigue o leitor e a leitora a querer virar a página para descobrir o que acontece adiante.

  1. Tente criar algo cativante que fisgue o leitor logo de início

Tente começar com algo cativante, algo que desperte a curiosidade, algo empolgante que faça a pessoa se interessar e pensar (“ – Nossa, o que irá acontecer aqui?”).

  1. Uma Primeira Página boa chama a atenção de Editoras e Leitores/Leitoras

Isso é importante até mesmo para chamar a atenção de editoras na hora de tentar publicar seu livro. Muitas das vezes você terá uma história maravilhosa com uma primeira página nem tão boa assim. As editoras recebem milhares (eu digo e repito, milhares de originais) todos os meses. Imagine pagar alguém para ler 100 livros de no mínimo 300 páginas por mês para no final publicarem somente 10 destes. É impossível fisicamente, economicamente e psicologicamente. O que vai definir o interesse do editor de continuar a leitura do livro serão as primeiras páginas.

  1. Refaça sua primeira página após terminar seu livro

Sugiro que após finalizar seu livro, você vá na primeira página e a refaça, a destrua, a desconstrua, faça o quer for, mas dê um jeito para torná-la a melhor coisa de todo o seu livro. O que nos leva para a próxima dica.

  1. Se você é escritor iniciante, não escreva um livro de 800 páginas

Papel custa dinheiro e para editoras que pagam gráficas para imprimir livros, custam mais ainda. Editoras são empresas e não podem simplesmente imprimir livros enormes que custarão muito caro quando chegarem as livrarias e não sairão das prateleiras porque são caros demais. Basta olhar na sua biblioteca pessoal, qual foi a última vez que você comprou um livro com mais de 600 páginas e que não custou no mínimo R$ 79,90? (Não vale as Crônicas de Gelo e Fogo – Game of Thrones)

  1. Faça uma Revisão Gramatical e Ortográfica

Tão importante quanto escrever é escrever bem. Erros de português, vírgulas em lugares errados, palavras erradas, tudo isso pode implodir uma obra. Dê seu livro a um amigo que gosta de ler e seja bom em gramática. Pague alguém para corrigir, ache alguém que faça por um preço acessível (sobre gastar dinheiro com seu livro, confira a dica 21). Valorize sua obra, corrija os erros e não desconsidere a importância de uma escrita limpa e coesa.

  1. Retirar repetições – Evitar informações repetidas

Nunca repita algo que você falou há algumas páginas atrás. Leitores/leitoras odeiam ter que ler a mesma coisa várias vezes seguidas. Se você deu uma informação, pronto, é isso. Essa informação levará a algo no livro, não há necessidade de repeti-la. Isso aqui pode ser revisado na parte de revisão gramatical e ortográfica.

  1. Não tente ensinar o leitor/leitora – A descoberta e o sentimento de mistério podem cativar a leitura e torná-la prazerosa e instigante

Um leitor/Uma leitora bom/boa gosta de descobrir o novo mundo apresentado pelo livro. Ele/ela gosta de informações que levam a descobertas, a resolver mistérios. Não dê todas informações de bandeja, não subestime o leitor/leitora. Eles/elas conseguem entender muito bem o que você quer dizer e aonde quer chegar, produza mistério, suspense, com isso você ganhará a confiança e respeito do leitor/leitora. E a regra fundamental do respeito é, se você quiser ser respeitado, respeite.

  1. Faça uma Revisão de capítulo por capítulo

Não sei como você pretende organizar sua escrita, se irá escrever direto no computador ou à mão mesmo. Eu escrevo diretamente no computador e divido minha obra em capítulos que são postos em pastas no Arquivo Livro do meu PC. Organização é importante e pode ajudar muito. Divida bem seu livro, saiba quantos capítulos tem a história, quantas páginas têm cada história. Busque simetria, não escreva um capítulo de dez páginas e logo depois, um de trinta páginas. Quando uma cena ou uma parte da história acabar, pare com o capítulo e inicie outro.

  1. Reescreva no mínimo umas 100 vezes (1000x, 10000x)

Uma vez me disseram que escrever é a arte de reescrever e eu posso assegurar que é verdade. Como disse anteriormente, estou há três anos escrevendo O Selo de Bartholomeu. Já mudei o título dezenas de vezes e reescrevi cada capítulo milhares (perdoe-me pelo exagero), mas sim, foram muitas vezes. A primeira versão do meu livro se fosse lida hoje, até eu consideraria um completo lixo mal escrito e sem substância. Mas é verdade, a primeira versão é como um diamante bruto. O livro só será bom depois que você fizer todo o processo de polimento e até mesmo destruir para construir novamente. Não tenha medo de apagar parte da história, refazer, há diversas coisas, cenas e histórias que aconteceram na minha narrativa que não se encontram mais no meu livro.

  1. Apague quando necessário

Não sejam apegados, é necessário apagar mais do que escrever. Apaguem, excluam, reescrevam, joguem no lixo e comecem tudo de novo, foi isso que eu fiz. Como eu disse anteriormente, não considero meu livro atualmente bom o suficiente, mas há três anos atrás quando eu terminei a primeira versão, posso garantir honestamente, que eu não teria coragem de publicá-lo nem de graça, era horrível.

  1. Busque Crítica (de amigos e/ou de Profissionais)

Peça que algum amigo de confiança leia seu livro honestamente e lhe diga o que há de errado. Mas nem sempre as pessoas de quem gostamos tem coragem de nos dizer verdades duras, é aqui que entra a leitura crítica. Há pessoas (desconhecidos) que oferecem esse serviço gratuitamente na internet (os chamados leitores beta). E há quem ofereça o serviço profissionalmente. Vale cada centavo, eu hesitei no começo porque não tenho muito dinheiro e nunca tive intenção de gastar muito com minha publicação. Eu pesquisei, pechinchei, fiz orçamentos até achar um profissional que fizesse por um preço razoável. Mas querendo ou não, quando você entrega seu livro para um amigo para ele/ela fazer uma crítica, nunca será uma crítica sincera por medo de te magoar. A crítica tem que ser feita por alguém que não tem relação afetiva com o escritor/escritora. Para melhorar, para atingir seu máximo potencial, alguém tem de lhe falar o que está errado de verdade no livro, o que não faz sentido, os erros que alguém que lhe ama não teria coragem de apontar.

  1. Ninguém faz nada de graça

Eu não tenho dinheiro, pelo menos, não o bastante para publicar meu livro por conta própria. Sou estudante de pós-graduação e trabalho para obter meu sustento. Gastar dinheiro com meu livro foi uma decisão que tomei após juntar uma quantia considerável para investir neste projeto. Um risco assumido e pensado. Mas querendo ou não, você no seu trajeto de escrita irá se deparar com custos. Revisões custam, críticas custam, propaganda e marketing custam, capas e design custam, tudo tem um custo. Afinal, você tem de respeitar o tempo e dinheiro gastos por esses profissionais para eles se especializarem para oferecer este tipo de serviço para você. Comece com gastos menores, como eu. Uma crítica literária razoável, um site gratuito na internet, uma capa legal para colocar no face, comece com poucos gastos. Assim que você tiver algum retorno, invista mais.

  1. Invista em cursos

Hoje em dia, com acesso a web e um smartphone na mão, você consegue assistir aulas de Harvard no youtube. Aprender é possível, portanto, busque cursos gratuitos ou pagos. De Escrita, de propaganda, de como entrar em contato com editoras. Se especialize e profissionalize. Não tente realizar nada de maneira amadora, tente alcançar seu máximo potencial.

  1. Crie uma base de leitores online – Abra uma página no Facebook dedicada a divulgação de sua obra

A melhor maneira de divulgar seu trabalho hoje em dia é por meio da internet. Comece criando uma página sobre seu livro, coloque informações, trechos, notícias. Comece a divulgar no seu círculo de amizades e depois expanda. Use as ferramentas disponíveis gratuitamente para todos.

  1. Crie um site

Crie uma plataforma virtual, um site (gratuito ou pago). Hoje há várias plataformas gratuitas de criação de sites. Coloque sua história, fatos sobre você (autor/autora), estabeleça um canal de comunicação entre você e os leitores/leitoras. Crie fóruns onde as pessoas podem te dar sugestões, disponibilize capítulos gratuitamente no site. Coloque seu e-mail para que as pessoas entrem em contato, seja aberto a sugestões e críticas. E principalmente, responda o público, afinal, o escritor/escritora não é nada sem leitores/leitoras.

  1. Divulgue sua obra

Divulgue sua obra por meio da web, crie uma rede de pessoas interessadas no seu trabalho. Responda as perguntas, seja legal com seu público. As pessoas tendem a respeitar quem é responsivo as críticas online.

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  1. Não seja chato

Não obrigue as pessoas a ler seu livro, não insista, não marque milhares de pessoas em posts chatos. Não envie seu livro para milhares de editoras sem antes nem pesquisar o tipo de livros que elas publicam. Não aborde editores/editoras em eventos, feiras literárias, há os momentos específicos para envio das obras.

  1. Divulgue no Wattpad e outros sites de publicação online

Muitos autores/autoras são revelados hoje em dia pelo Wattpad. Divulgue parte do seu livro ou a obra inteira. Leia os livros de seus leitores, espalhe a sua obra, faça com que ela seja conhecida.

  1. Construa uma rede de leitores e leitoras

Construir um grupo focado na sua obra é importantíssimo. Esta construção é feita por meio de todas as dicas nos tópicos anteriores, responda críticas e sugestões no site, facebook, twitter, instagram, pinterest, seja qual rede social for.

  1. Publique online/digitalmente

A Amazon ou outros sites oferecem serviços de publicação gratuita. Quando você achar que seu livro está preparado para o publico, faça como eu, entre na plataforma KDP da amazon e publique digitalmente. Estamos na era da informação, as celebridades são youtubers e não mais estrelas de TV. As pessoas lêem online.

  1. Pesquise sobre Editoras

Pesquise bastante antes de enviar seu texto final para as editoras. Não adianta enviar um livro de ficção para uma editora que publique auto-ajuda. Olhe o acervo da editora, pesquise o catálogo. Entre no site da editora, nas redes sociais, busque informações sobre os selos editoriais, sobre as regras de envio de originais.

  1. Saiba as Normas de Envio de Originais das Editoras

Isto é muito importante. As editoras são empresas voltadas a publicação de livros impressos/digitais e obras literárias, como toda empresa ela tem normas/regras que o autor/autora deve seguir a risca. Há editoras que não recebem originais sem o intermédio de um agente literário, há editoras que não recebem livros num determinado período do ano. Pesquise se você tem de preencher formulário, se tem de mandar sinopse, book proposal, currículo do autor, se a editora recebe online ou por correio, ou seja, pesquise as regras. Você pode acabar enviando seu livro para uma editora no mês de abril e esta editora só recebe no mês de outubro. É bastante importante respeitar as regras da empresa na qual você quer estabelecer um contrato de publicação.

  1. Busque Agentes Literários

Procure agentes literários. Como eu disse, há editoras que só recebem originais de agentes. Profissionais especializados em apresentar o autor e a obra ao mercado, experientes e que sabem a melhor maneira de apresentar seu livro a um editor/editora.

  1. Procure Concursos Literários – Se inscreva

Participe de concursos literários, estes podem ser a porta de entrada ao mercado editorial. Tem prêmios do SESC, da amazon, de editoras, vários outros que eu irei disponibilizar na página em algum momento. Talvez o que falta a sua obra seja concorrer pela publicação e concursos dão uma grande visibilidade a obra ganhadora.

  1. Seja educado e Não seja indelicado

Ao entrar em contato com uma editora, agente, crítico literário, seja o mais educado e profissional possível. Lembre-se, respeito é algo conquistado por meio de respeito mútuo. Não deixe seu ego falar mais alto.

  1. Registre seu livro

Uma maneira de assegurar seus direitos autorais é fazer o Registro na Fundação Biblioteca Nacional, órgão do governo brasileiro, associado ao Ministério da Cultura, responsável por direitos autorais. Se você quiser assegurar sua obra contra plágio e cópias indevidas, registre. Mais informações em: Como Registrar seu Livro na Biblioteca Nacional?

  1. Tenha paciência

Se você acredita na sua capacidade e na sua história, não desista, seja persistente. Estou há três anos escrevendo meu livro e batalhando para publicá-lo. Tenho certeza que quando chegar a hora irei conseguir, nem que isso dure mais alguns anos. Nunca desista, se você criou uma história e quer compartilhá-la com o mundo, não tenha medo de ser ridicularizado, criticado e até mesmo desanimado. O importante é acreditar em si mesmo, reconhecer suas limitações, querer e ter vontade de aprender sempre mais, ser humilde e não deixar seu ego lhe atrapalhar e buscar ao máximo sua tão sonhada publicação.



Tem alguma sugestão? Acredita que faltou algo no texto ou  que eu poderia melhorar? Estou aberto a sugestões e a perguntas, ficaria muito feliz em respondê-los.

Se você gostou, curta, compartilhe, deixe seu comentário e siga a Página no Face. O Selo de Bartholomeu pode ser lido de graça no WATTPAD.

Até mais pessoal, toda quinta tenho um texto novo para vocês.

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